Obra por publicar
Fica comigo esta noite
deixa que amanheça nos teus braços
embalada pelo rumor das tuas águas
abraça-me devagar
sem tempo
desenha com a tua boca o contorno do meu corpo
grava em mim o sabor deste momento
numa linguagem de beijos e suor
não me olhes
na ausência dos barcos que partiram
e talharam na memória não mais que um adeus
fica comigo esta noite
desvenda essa luz que a treva esconde
cala a urgência dos beijos que não demos
não perguntes quanto tempo dura a eternidade.
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jueves, 31 de enero de 2013
sábado, 5 de enero de 2013
Quando - Sophia De Mello Breyner Andresen
Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.
Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.
Será o mesmo brilho a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta,
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.
martes, 1 de enero de 2013
Sophia De Mello Breyner Andresen - Biografía
![[Sophia+M.B.1.jpg]](https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiUbvLPs2acPexThJ3tr3YWzgTJI9suvisCpe8xNNTJSV8tFNollAVRuFVFnOlCh5I-09s_fRuF4vMMYJ2RM1ogED9zFvdGr4ZtRon6pIbosPuKH0z-zuqnqfapsN6kINPZYwqaoWOsE6o/s1600/Sophia+M.B.1.jpg)
Poetisa y cuentista Portuguesa nacida en Porto, de origen Danes por parte de su Padre. Nace en el seno de una familia aristocrática católica que influenció notablemente su personalidad.El ambiente de su infancia se refleja en imágenes y ambientes presentes en su obra, sobretodo en los libros para niños. Los veranos que pasó en las playas y jardines de la casa de familia resurgen en evocaciones del mar y de los espacios de paz de gran amplitud.
Realizó estudios en Filología Clásica en la Facultad de Letras en la Universidad de Lisboa, mostrando gran interés por la cultura y civilización Griega, especialmente los mitos y el ideal de belleza que se hacen presentes en sus versos.
Intervino políticamente oponiéndose al régimen -Salazarista--, siendo cofundadora de la Comisión Nacional de Socorro a los Presos Políticos, fue diputada y presidió el Centro Nacional de Cultura y la Asamblea General de la Asociación Portuguesa de Escritores.
En su actividad literaria y política, trabajó siempre por las ideas de justicia, libertad e integridad moral. La depuración, el equilibrio y la limpieza del lenguaje poético, la presencia constante de la naturaleza, la atención permanente a los problemas trágicos de la vida humana son reflexiones de una forma clásica, con lecturas, por ejemplo, de Homero, durante su juventud. Colaboró en las revistas Cadernos de Poesía, Távola Redonda e Árvore y compartió con personajes de la literatura como Miguel Torga, Ruy Cinatti y Jorge de Sena.
Su producción lírica inicia en 1944 con la publicación de -Poesía-. Entre sus poemas más destacados se encuentran, O Dia do mar, Coral, No tempo Dividido, Mar Novo, O Cristo Cigano, Livro Sexto (Grande prémio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores), Geografia, Dual, O nome das Coisas (Prémio Teixeira de Pascoaes), Navegacoes e Ilhas.
En Prosa escribió O rapaz de Bronze, Contos Exemplares, Histórias da Terra e do Mar, y los cuentos infantiles A Fada Oriana, A menina do Mar, Noite de Natal, O Cavaleiro da Dinamarca y La Floresta.
También es autora de los ensayos Cecília Meireles, Poesia e Realidades y O nu na Antiguidade Clássica.
Tomado de la Biografía escrita en la página: astormentas.com
PORQUE - Sophia de Mello Breyner
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
MAR - Sophia de Mello Breyner
Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.
E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras.
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.
E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras.
ROSTO - Sophia de Mello Breyner
Rosto nu
na luz directa.
Rosto suspenso,

despido e permeável,
Osmose lenta.
Boca entreaberta como se bebesse,
Cabeça atenta.
Rosto desfeito,
Rosto sem recusa onde nada se defende,
Rosto que se dá na duvida do pedido,
Rosto que as vozes atravessam.
Rosto derivando
lentamente,
Pressentindo que os laranjais segredam,
Rosto abandonado e transparente
Que as negras noites de amor em si recebem
Longos
raios de frio correm sobre o mar
Em silêncio ergueram-se as paisagens
E eu toco a solidão como uma pedra.
Rosto perdido
Que amargos ventos de secura em si sepultam
E que as ondas do mar puríssimas lamentam.
LIBERDADE - Sophia de Mello Breyner
Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.
BEBIDO O LUAR - Sophia de Mello Breyner
Bebido o luar, ébrios de horizontes, Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.
Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.
Por que jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Por que o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.
AS ROSAS - Sophia de Mello Breyner
Quando à noite desfolho
e trinco as rosas
É como se prendesse
entre os meus dentes
Todo o luar das
noites tranparentes,
Todo o fulgor das
tardes luminosas,
O vento bailador
das Primaveras,
A doçura amarga dos
poentes,
E a exaltação de todas
as esperas.
ANTÍNOO - Sophia de Mello Breyner
Bajo el peso nocturno del cabello
O bajo la luna diurna de tu hombro
Busqué el orden intacto del mundo
La palabra no escuchada
Largamente bajo el fuego o bajo el vidrio
Busqué en tu rostro
La revelación de dioses que no conozco
Pero pasaste a través de mí
Como pasamos a través de la sombra.
Traducción :Versión de Diana Bellessi (Tomado de amediavoz)
POEMA AZUL - Sophia de Mello Breyner
O mar
Beijando a areia
E o céu
A lua cheia
Que cai no mar
Que abraça a areia
Que mostra ao céu
E à lua cheia
Que prateia
Os cabelos do meu bem
Que olha o mar
Beijando a areia
E uma estrelinha
Sôlta no céu
Que cai no mar
Que abraça a areia
Que mostra ao céu
E à lua cheia
Um beijo meu
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